Encontros para uma Esquerda Livre em Braga

O próximo Encontro para uma Esquerda Livre será em Braga, num dos mais emblemáticos espaços culturais da cidade, o Velha-a-Branca (http://www.velha.org/). O encontro terá início às 17h00. Vêmo-nos por lá!

 

 

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A esperança que nos resta

Por: Manuel Rodrigues dos Santos
Coronel do Exército na Reforma

O povo votou PSD para se livrar da suposta crise que viria aí com o PEC4 do governo de José Sócrates. E também porque o Presidente assim o quis. Votou sem saber o que fazia, ou de outro modo, votou porque foi enfeitiçado pelas fantásticas promessas do então candidato desconhecido chamado Pedro Passos Coelho. Quem era ele? De onde viera? Que provas dera antes ao país? Nada se sabia. Era um desconhecido rosto jovem, que dizia mal à farta do governo que então governava, e que prometia coisas que eram música para os ouvidos dos incautos. E pronto, sem mais referências votaram nele.

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Para uma educação de esquerda

Por: Pedro Abrantes
Professor e Investigador do CIES-IUL (ex-ISCTE)
Investigador convidado do CIESAS, México DF
Signatário do Manifesto

A educação sempre foi uma causa da esquerda. Uma verdadeira aposta na educação é fundamental para quem acredita que a sociedade deve se composta por cidadãos (e trabalhadores) sábios, informados, abertos, críticos, justos, participativos.

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Indignação, precisa-se

Por: Luísa Lobão Moniz

Estamos na era do examinar, do punir, das estatísticas. E, ainda na era, pasme-se, de desacreditar as estatísticas que revelam que Portugal é um dos países da Europa, que em termos percentuais, mais progressos fez!

Descobre-se agora que o incentivo que os professores dão aos seus alunos é mais importante para estes do que os dos pais ou dos amigos…onde andavam estas pessoas?!

Quando comecei a dar aulas conheci escolas, quase todas, muito degradadas, onde chovia, onde não havia manutenção, com pouquíssimo material didáctico, sem refeitório, sem bibliotecas, sem…, sem… Hoje conheço escolas bonitas com as quais as autarquias se preocupam. Conheço escolas com muito material didáctico, com bibliotecas activas, com laboratórios, com momentos culturais para a comunidade.

Como se pode dizer que a Educação tem que fazer cortes orçamentais!

A vida escolar, para e na educação da liberdade e do espírito democrático, não se pode pautar pelos orçamentos da troika. Como se pode ensinar e aprender com 26 a 30 alunos numa sala de aula? Qual o espírito que subjaze à formação de turmas só com bons e só com maus alunos?

Se calhar não é difícil de perceber. Quer-se, agora e outra vez, uma Escola só para alguns… quem serão?

É preciso que a indignação atinja todos os docentes. É preciso que os docentes exijam uma melhor educação e que não sejam agentes passivos nesta mudança de paradigma que agora assola a nossa Escola.

É preciso dizer que a escola que se adivinha não serve os ideais de Abril.

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Democracia: um regime político em decadência?

Por: Fernando Cruz

A Grécia inventou a democracia, que legou à posteridade, embora as aplicações práticas que dela se conhecem ficassem muito aquém das possibilidades que o sistema podia proporcionar.

A partir dos fins do século XVII, por influência dos pensadores da Época das Luzes e devido à insatisfação provocada pelos regimes políticos existentes, a pouco e pouco, os países europeus, com avanços e recuos, começaram a adoptar um regime democrático, que se foi desenvolvendo e dando voz, na direcção dos assuntos nacionais, a uma  parte crescente dos cidadãos maiores de idade.

Hoje, no limiar do século XXI, o regime democrático sofre várias ameaças, que põem em causa os seus princípios fundamentais, relativamente às quais os democratas têm que reflectir, para encontrar os meios apropriados para as enfrentar e vencer, demostrando assim, uma vez mais a capacidade do sistema para se adaptar à evolução do mundo.

As ameaças que agora e no futuro afectam a solidez do regime democrático e levar à sua perversão são várias, de entre as quais destacamos as que a seguir indicamos abreviadamente.
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Divisões, não

Por: João Pedro Ferreira

Para uma “esquerda livre” é necessário uma esquerda forte e a união faz a força. Divisões “à esquerda” não irão trazer soluções concretas, apenas devaneios intelectuais.

Precisamos de reunir consensos e manter os pés assentes na terra. Que soluções concretas temos?

Queremos emprego, estabilidade, estado social, saúde e educação
gratuitas, permanecer no euro e ganhar competitividade,

Como conseguir isto tudo? Infelizmente tal não é possível sem
crescimento económico e para ter crescimento económico é necessário ter contas públicas em ordem, controlar o endividamento externo, aumentar o peso das exportações no PIB, positivar a balança comercial e flexibilizar o mercado laboral. Não podemos desvalorizar moeda sem ser baixando salários e não controlamos a inflação. Ou seja, estamos totalmente dependentes do exterior.

Penso que a força será no sentido tornar a Europa mais unida e
transparente, permitindo o co-habitação de várias culturas e tecidos empresarias com produtos preferenciais e competições diferentes.

Tal pode não ser possível e podemos não sair deste ciclo de
recessão-deflação interna, mesmo com “eurobonds” ou liquidez directa do BCE.

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Combater o analfabetismo

Por: João de Oliveira Cachado

Portugal, que não é um pais sequer próximo da média europeia, há décadas que vem sendo governado como se o fosse, ignorando que a vigente taxa de analfabetismo equivale a cerca de um milhão de cidadãos. Aliás, condicionado por matriz tão limitativa, é que o país também continua a evidenciar resultados tão negativos.

Tão elevado número de pessoas constitui não uma ilha mas, isso sim, um arquipélago de subdesenvolvimento, espantosamente disseminado no tecido social, uma vez que a cada analfabeto correspondem mais dois/três indivíduos que, de algum modo, também foram e/ou são afectados pelo fenómeno.

A meio da década de oitenta do século passado, tendo havido vergonha de escancarar, à devassa europeia, as entranhas de um país atrasado, Portugal parou o investimento na Educação de Base de Adultos, como era inequivocamente necessário, comprometendo todo o trabalho concretizado previamente, na sequência do Vinte e Cinco de Abril.

Passou-se para um regime de Liberdade mas, como se impediu que os cidadãos se preparassem para a vida em Democracia, comprometeu-se todo um programa de desenvolvimento sustentado na mudança de mentalidades e o resultado plasma-se nas  inquietantes perversidades em que o regime democrático português é tão fértil.

Nestes termos, a República não pode dispensar o funcionamento de uma Comissão Nacional Interministerial promotora das medidas afins à Educação de Base de Adultos, privilegiando a intervenção interdepartamental, nos termos de um cronograma justo e ajustado às características socioculturais do país.

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Um novo sistema de representação

Por: Octávio Coutinho

A minha ideia para mudar algo em Portugal é a seguinte: o sistema político tal como o conhecemos nunca vai trazer os resultados esperados pelos Portugueses. Para mudar algum em Portugal é preciso mudar a forma de eleger os nosso governantes. Proponho então uma votação não em um partido mais sim em pessoas.

Muitas das vezes políticos de partidos diferentes tem as mesmas ideias, mas por estarem em partidos diferentes são obrigados a mudar de opinião. Haveria uma única eleição para as assembleias de freguesias, assembleia municipal e assembleia nacional.

Cada candidato tinha de pelo menos 25 anos e ser residente há pelo menos dez anos no distrito pelo que se candidataria. Por cada distrito haveria um número de lugares para assembleia nacional conforme o numero da população desse distrito. No final das votações haveria uma assembleia de freguesias, uma assembleia municipal e uma assembleia nacional não de partidos mas sim de nomes.

Durante uma semana em todas as assembleias iam a votos para eleger os dez candidatos a cada um dos cargos. Esses dez candidatos iam a nova votação para eleger presidente da junta de freguesia, presidente da câmara e primeiro-ministro. Os vencedores das eleições ocupavam os cargos para que tinham sido eleitos, e no caso do primeiro-ministro tinha quatro semanas para apresentar o governo que podia ter até 4 nomes de deputados não eleitos para assembleia, mas que tivessem ido a votação. O resto dos nomes tinham de ser de deputados eleitos. Este governo tinha de ir a votação à assembleia e só era aprovado com mais de 50% dos votos.

A minha ideia precisa de mais texto para ser bem apresentada, mas uma pergunta fica: o que acontecia aos partidos? Os partidos podiam ir à assembleia apresentar as suas ideias e na eleição final podiam-se manifestar a favor de algum candidato, mas na primeira eleição de deputados não poderiam manifestar-se a favor de nenhum candidato. Para além disso, as eleições europeias teriam o mesmo molde em que se realizam hoje em dia.

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Mais ousadia

Por: Rui Meireles

É urgente fazer alguma coisa para juntar as vontades de todos os que se reclamam de esquerda, sejam eles de que área ou família política forem.

Temos o exemplo daquilo que é a práxis da direita: concorrem muitas vezes separados e até com discursos aparentemente inconciliáveis, mas logo de seguida ao acto eleitoral, unem-se, formam plataformas de entendimento e de governo, sem quaisquer pruridos ou complexos.

Temos de agir de modo idêntico, porque senão estaremos sempre a ser ultrapassados pelos acontecimentos.

É tempo de sermos mais ousados e menos ingénuos.

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Uma Esquerda Livre tem de dar sinais de libertação

Por: José Mendes Pires

Na minha opinião, há três sinais que poderão constituir pedra-de-toque para avaliar o grau de libertação da esquerda:

1º sinal: Na estratégia

O objectivo estratégico deve deixar de ser a conquista do poder e passar a ser “tão-só”

pugnar para que todo o povo possa usufruir dos níveis máximos de Liberdade, Equidade e Dignidade que seja possível a sociedade proporcionar a cada momento.

(O melhor, em cada momento, para o povo, será o que a esquerda apoiará, quer a aproxime ou afaste do poder.)

2º sinal: Na táctica

Toda a filosofia política, todo o material de agitprop, todas as declarações — tudo terá como objectivo a educação para a cidadania (e não proveitos eleitoralistas): a verdade, o cabal esclarecimento de todas as situações, o combate a todas as formas de ilegalidade, mesmo as que são prática popular.

(Parece fácil, mas quem hoje se candidata dizendo, p.e., que vai acabar com todo o estacionamento ilegal?)

3º sinal: Na prática

Impor como regra, dentro das estruturas da esquerda e nas instituições onde a sua influência possa consegui-lo, que todo o trabalho político se fará durante das horas de expediente ou de molde a não prejudicar a vida familiar dos militantes, nomeadamente os seus deveres de pais.

(Só assim haverá verdadeira igualdade no desempenho de funções políticas, sem que se obrigue alguém a ausentar-se delas — sabendo todos nós quem é normalmente o “escolhido” para tratar da casa e dos filhos.)

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